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pega um, pega geral, hoje eu vou pegar você
quarta-feira, 9 de junho de 2010 @ 22:29


O que você realmente acha que está proibindo? As drogas? O controle de traficantes perante o Estado? A violência? A liberdade? De todas essas, qual é a opção que qualquer um encontra em cada esquina? Sim, as drogas! Do qual tipo o consumidor estiver procurando. O fato de apenas essa ser ilegal, não significa que ela esteja realmente proibida e sim, que as suas consequências andam por aí, escondidas no bolso de algum traficante. Fumar um simples baseado significa atualmente estar financiando o narcotráfico, de estar contribuindo para a compra de armas, de estar incentivando crianças e adolescentes a largarem a escola em função de uma promessa de melhora de vida. Vivemos cercados por favelas; comunidades muito mais organizadas que o Estado e muito mais seguras, onde vigora a própria lei da sobrevivência que é respeitada até por quem nunca pensou em usar qualquer tipo de substância ilícita.
Punir um drogado com tapas, prisões e tribunais não vai solucionar o problema, a questão vem da educação, da família, da psicologia. Seria até insensato pensar que alguém que apanha vai se afastar do uso de drogas pesadas, como o crack por exemplo. A escolha de fazer uso ou não dessas substâncias é de livre arbítrio e pode ser acompanhada pela informação, porém a escolha de fazer parte ou não do tráfico quando se mora no meio dele, acaba virando uma opção pela vida, mesmo que mal vivida. Seguindo deste ponto, estamos protegendo pessoas que não querem ser protegidas e deixando de lado as que mais precisam.
O tráfico é o filho bastardo da corrupção, em fatores econônicos o esquema é simples: o usuário dá o dinheiro dele para o traficante, que  por sua vez se utiliza dele para comprar mais drogas e armas para se proteger, essas armas e essas drogas são usadas para matar parte da população e aquele usuário primário pode acabar em um hospital para tratamento, e quem paga a conta? VOCÊ! Você paga pelas armas que combatem os traficantes, você arca com os gastos da saúde pública, você ainda corre o risco de ser pego como refém do tráfico. Não é difícil perceber que nessa cadeia há algo errado, o dinheiro do usuário poderia não passar pelo traficante e sim pelo governo, riscando assim do esquema as armas e a violência, e consequentemente utilizando-se a verba na saúde pública, que teria apenas o trabalho de cuidar de usuários. Porém nós preferimos deixar os bilhões de reais ganhos com o narcotráfico para quem entende do assunto, depois pagamos a conta em nossas casas cercadas por muros e cameras de segurança e o governo só permite porque participa diretamente da divisão do lucro sem se queimar com a população. Assim, é o melhor caminho para todos, traficantes grandes e o governo lucram, a população paga e assim fechamos mais uma vez os olhos e fingimos que estamos evitando o uso das drogas.

Existem dois lados da corda: usuários que são vistos como vítimas e traficantes que são a origem do problema. Deveríamos mudar a nossa visão pois todos são igualmente culpados, ninguem vende se não houver compradores e ninguém compra sem que haja venda, uma coisa não só leva a outra, como também sustenta a outra, por isso, se querem mesmo punir, que essas punições sejam iguais, porque, nesse caso, para cortarmos o mal pela raíz temos que primeiro encontrar a raíz.
Um famoso ditado antigo já dizia que "é melhor prevenir do que remediar". Há duas maneiras de tentar acabar com o tráfico, a primeira é a punitiva (que é a utilizada no Brasil) e a segunda é a preventiva. Punir tende a gerar violência e acaba se transformando em um método ineficaz como observamos no nosso dia a dia, enquanto prevenir  implica em demonstrar o perigo e as consequências  serão deixar a pessoa tomar a própria decisão, assim a punição já estará embutida no futuro do usuário.
Só falamos em legalização quando nos referimos à uma substância, em relação à quem se utiliza da substância ilegal para qualquer fim, nos utilizamos do termo "descriminalização", que significaria não tratá-lo como criminoso. Tornando as drogas legalizadas, não teríamos criminosos e consequentemente não teríamos crime, ou seja, as pessoas falariam abertamente sobre o assunto e ficariam à vontade para pedir ajuda ou se submeterem à um tratamento. Em relação aos traficantes, alguns poderiam partir para outro tipo de atividade ilegal, porém o governo teria condições de oferecer empregos especializados em vendas controladas de drogas, além disso, tendo nossas próprias empresas e plantações, cairia também a taxa de desemprego, diminuindo outro problema de nosso Estado.
O crack e a cocaína são drogas que podem deixar uma pessoa mais violenta do que o normal, trazendo consequências para a sociedade, porém essas consequências que PODEM acontecer nunca serão maiores do que as que JÁ acontecem com o tráfico de toda e qualquer droga. O àlcool também tende a elevar o nível de stress, e mesmo assim está sendo oferecido para consumo. O tabaco vicia muito mais do que a maconha, e está sendo vendido com a devida cobrança de impostos e a devida informação sobre a consequência de se fumar um cigarro. Se as drogas fossem legalizadas o governo teria um controle maior sobre os usuários e estes teriam acesso à muito mais informação em relação ao que estão usando.
Os próprios traficantes são contra a legalização dessas substâncias, de quê lado você está?
Não é porque a droga não é legal que ela tem que ser ilegal.




Diogo Costa falando sobre o assunto:
http://www.youtube.com/watch?v=Eiqqkri3G2k

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